Estudo da Embrapa embasa criação da Região Central Mineira
O Decreto que instituiu a Política Estadual de Desenvolvimento Agrícola da Região Central Mineira foi assinado pelo governador de Minas Gerais, Mateus Simões, na sexta-feira, 15 de maio, durante a solenidade de abertura da 81ª Expo Curvelo, em Curvelo, Minas Gerais.
A iniciativa tem a finalidade de promover o desenvolvimento socioeconômico sustentável, a articulação interinstitucional e a integração entre a produção agropecuária e agroindustrial, a infraestrutura logística, a inovação tecnológica e a sustentabilidade ambiental.
De acordo com a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), o decreto anuncia a criação da Câmara Técnica da Região Central Mineira (CT-Central), no âmbito do Conselho Estadual de Política Agrícola (Cepa) e é considerado um marco para o planejamento territorial e para o desenvolvimento agropecuário do Estado.
A proposta de trabalho inclui a integração do Estado e do setor produtivo, em que instituições públicas e privadas definirão ações estratégicas para o setor. Participam da Câmara Técnica a Embrapa Milho e Sorgo, as secretarias Seapa e a de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG) e o Sistema Faemg/Senar.
“A assinatura desse Decreto é um compromisso do Governo do Estado, formalmente, de inaugurar um processo de diagnóstico e propostas para que nós possamos transformar essa região. Ainda que não tenha índices pluviométricos tão altos, ela tem fertilidade, tem topografia adequada e tem capacidade logística de escoamento. Portanto, tudo o que é necessário está aqui”, disse Simões.
Na solenidade, Frederico Botelho, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia representou a Embrapa Milho e Sorgo, acompanhado pela chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento, Cynthia Damasceno e pelos pesquisadores Frederico Durães e Sara Rios.
“O Decreto é um marco para um movimento idealizado pela Embrapa, e uma condição essencial para a evolução planejada da Região Central Mineira é a união de instituições públicas e privadas que atuam como vetores de transformação social e territorial. Nesse propósito, junto com a Embrapa, integram o movimento o Sistema Faemg/Senar e o governo de Minas Gerais”, comenta Botelho.
“Essa parceria que estamos fazendo com a Embrapa, o Governo de Minas e Sistema Faemg/Senar é muito importante”, disse o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, dando ênfase à realidade da produção de grãos em Minas Gerais, que na última década cresceu 61%. Outras atividades que podem ser geradas, citadas pelo secretário, incluem a produção de etanol de cereais e do DDG como subproduto, a recuperação das áreas de pastagens degradadas e o aumento das áreas de suinocultura e de confinamento.
“Temos aqui na região Central de Minas a Embrapa Milho e Sorgo para nos apoiar e desenvolver as variedades de grãos que já existem e são adaptadas para esse território, para que possamos diversificar ainda mais os modelos produtivos. Em Curvelo, temos uma fábrica de ração da Cooperativa Central dos Produtores Rurais (CCPR), que pode consumir essa matéria prima. Este decreto é uma grande oportunidade para que o produtor possa ter acesso às tecnologias e receber apoio na produção de grãos”, destacou Fernandes.
O presidente do Sistema Faemg/Senar Antônio Pitangui de Salvo disse que é essencial para o desenvolvimento da região Central Mineira fazer o diagnóstico de suas aptidões. “Neste papel, a Embrapa Milho e Sorgo, sediada em Sete Lagoas, e o Sistema Faemg trabalham juntos para fazer o levantamento e levar as tecnologias para os nossos produtores. Assim, efetivamente poderemos iniciar os processos de reformas de pastagens e de implantação de culturas, principalmente do sorgo”, pronunciou Salvo.
Movimento Central Mineira: a nova fronteira agropecuária e agroindustrial do Brasil
A Embrapa Milho e Sorgo, em um contexto de desenvolvimento da ciência com propósito, fundamentou dados baseados em inteligência territorial estratégica e governança multissetorial integrada, para referendar o conceito Movimento Central Mineira. Para esse fim, elaborou o documento “Movimento Central Mineira: a nova fronteira agropecuária e agroindustrial do Brasil” em que comprova a potência do Estado de Minas Gerais no contexto nacional agropecuário e de conservação ambiental.
O estudo científico aponta que Minas Gerais possui ativos estratégicos com significativa aptidão para o desenvolvimento econômico sustentável. Esta pesquisa conceitua e delimita a identificação geográfica e metodológica adequada para a caracterização do Movimento Central Mineira (MCM), uma nova fronteira agropecuária e agroindustrial no Brasil.
A análise dos quadros naturais e das dinâmicas de oportunidades para o Movimento Central Mineira foi construída com foco em cadeias produtivas de valor como grãos e proteína animal, que oferecem elementos para a sua delimitação territorial. O objetivo é oferecer suporte à formulação de políticas públicas e mobilizar parceiros para o uso nacional de recursos e o desenvolvimento econômico sustentável do eixo. Tudo baseado em pesquisa, desenvolvimento e inovação e inclusão sócio-produtiva.
O estudo aponta a vocação do Estado de Minas Gerais que combina perfil empreendedor e visão estratégica. O Estado se destaca na criação de oportunidades e na mitigação de riscos econômicos e ambientais, com protagonismo singular na relevância da expansão da economia nacional.
Mapeamento de ações e metas
O mapeamento de ações e metas foi realizado em diferentes frentes, que estão detalhadas no documento Movimento Central Mineira: a nova fronteira agropecuária e agroindustrial do Brasil. Entre elas a orientação estratégica por eixos territoriais e cadeias de valor a partir de um Sistema de Inteligência Territorial Estratégica. O estudo abrange ainda o fomento e o financiamento às ações de Pesquisa e Desenvolvimento de novas tecnologias e processos, as ações de assistência técnica e de transferência de conhecimentos e tecnologias, e estudos de créditos, políticas setoriais e inclusão digital, energética e socioprodutiva.
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